A lista das coisas abandonadas

A disposição da lista nos diz muito.

Temos escrito bastante, recentemente, sobre o trecho de Mateus 19.27-30. Mas hoje apareceu uma estrutura no verso 29 que merece atenção. O verso:

E todos os que tiverem deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos, por minha causa, receberão cem vezes mais e herdarão a vida eterna.
Mateus 19.29 NVI

Há sete itens na lista de coisas que o discípulo pode e deve deixar por causa de Jesus, sete sendo a totalidade dos interesses e relacionamentos humanos.

A lista dos sete é organizada em paralelo inverso, com um elemento do meio. (Isso se chama quiasmo.) Veja as correspondências:

quiasmo Mateus 19

Casas e campos se correspondem uns aos outros, como também irmãos e filhos. As mulheres estão representadas pelas irmãs e mãe. Finalmente, o elemento no meio se destaca, o pai.

O pai era a fonte do sustento familiar. Estar sem pai deixava uma pessoa “sem recursos” (Salmo 10.14 NBV). O “órfão” neste verso é aquele que é “sem pai”. As crianças na condição sem pai ficavam “vulneráveis e frequentemente exploradas” (NET Bible). Do pai também vinha a herança.

Tudo isso ressalta o abandono de todas as coisas desta vida para se jogar totalmente pela fé nos cuidados de Deus.

Chego ao Senhor, meu Deus, sem nada, desprovido de qualquer recurso próprio, para que eu desfrute da sua bondade e confie em todas as suas promessas.

Segure essa ideia: A lista de Deus ultrapassa em muito a nossa lista de bens.

A última coisa que viu nesta vida

Janelinha, janelinha!

O discurso de Estêvão está cercado pelo uso de um mesmo termo. Antes da sua pregação ao sinédrio, Lucas nos informa que os judeus “olhavam firmemente” para Estêvão, que o rosto dele estava como o de um anjo (ver meditação de ontem). E depois da sua pregação, é a vez do pregador:

Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para o céu e viu a glória de Deus. E viu também Jesus em pé, ao lado direito de Deus.
Atos 7.55 NTLH

Os judeus olharam hostilmente para Estevâo e, embora vendo rosto de anjo, não enxergaram a razão da sua pregação.

Estêvão, por sua vez, olhou atentamente para o céu. O que viu foi a glória de Deus, pois ele tinha glorificado a Deus pela sua coragem e dedicação na proclamação do evangelho.

E a última coisa que ele viu nesta vida foi, com certeza, a primeira coisa que viu no Além.

Tais olhares fixos nos levam a perguntar: Em quem nós estamos olhando desta forma?

Pai, que meus olhos estejam sempre fixos em Jesus como o guia, exemplo, Senhor e Salvador. Pois desejo ver a sua glória. Amém.

Segure este pensamento: O olho é a janela da alma e a visão de Cristo a ilumina.

 

Caricatura ou imagem de Cristo?

Seja bom artista para desenhar a Cristo.

caricatura ou imagem de CristoNa mesa da sala da minha casa tenho um retrato do meu rosto (veja imagem ao lado) desenhado por um aluno, e feito—tinha que ser, não é?—na sala de aula. Gostei tanto do retrato que a classe o colocou numa moldura e me deu como presente. O retrato é uma caricatura.

A caricatura é um representação de uma pessoa cujas feições ou características são exageradas ou distorcidas para produzir um efeito cômico ou grotesco.

O aluno me desenhou em boa fé e recebi o retrato como elogio.

Em termos espirituais, porém, queremos ser a imagem de Cristo e não a sua caricatura.

Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Romanos 8.29 NVI

Formar em nós uma caricatura de Cristo significa termos algumas das suas feições, alguns traços dele, mas em pontos exagerados, com efeito grotesco. Desta forma, carregamos uma imagem distorcida e não o que realmente representa a pessoa perfeita dele.

Esforçamo-nos a ser aquilo que de fato seremos quando ele se manifestar, “como ele realmente é” (1 João 3.2 NTLH).

Pai, eu não tenho condições de artista, para desenhar na minha alma um retrato perfeito de nosso Senhor Jesus. Mas quero cooperar com seu Espírito que produzirá em mim a sua imagem perfeita, para glória de Deus. Amém.

Segure este pensamento: Cada dia quero parecer mais como Cristo.

De pedra de moinho a urubus

O Mestre nos chama a tomar cuidado.

dedicação cristãoDe pedra de moinho amarrada no pescoço a urubus sobrevoando um cadáver, Lucas 17 apresenta ensino vigoroso do Mestre. Como a leitura de hoje, o capítulo nos lembra de que a fé não é um passeio no parque, mas um caminho determinado, focado e deliberado que seguimos, guidados como somos pela verdade de Cristo.

“Tomem cuidado”.
Lucas 17.3a NVI

As pessoas deste mundo andam fazendo suas próprias coisas, mas a sombra do juízo se aproxima.

Assim, nossa tarefa de proclamação inclui a palavra do julgamento, enquanto no ínterim arrancamos a raíz do pecado entre nós, exercitamos a nossa fé, fazemos o que é apenas o nosso dever de fazer e voltamos, constantemente, ao Senhor para nos jogar aos seus pés em louvor e gratidão.

Porque não fazemos parte do cadáver sobre o qual os urubus ajuntam.

Deus severo e bondoso, que eu reconheça a época em que vivemos, para viver com seriedade e sobriedade neste mundo e com esperança da vinda de Cristo. Amém.

Sem ter onde deitar a cabeça

Para seguir Jesus, deixe o travesseiro.

Jesus quer ouvir palavras que assumem o compromisso de ser seu seguidor, e entendem o custo deste compromisso. Palavras só não resolvem, da mesma forma que ações por si só tampouco resolvem.

E aconteceu que, enquanto eles iam pelo caminho, alguém lhe disse: Senhor, para onde quer que tu fores, eu te seguirei.
E Jesus lhe disse: As raposas têm tocas, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde deitar a cabeça.
Lucas 9.57-58 BLivre

Se vamos seguir Jesus, esqueçamos do nosso conforto, deixemos de preocupar-nos com a tranquilidade física, pensemos bem nos sacrifícios que ele nos chama a fazer.

Vamos seguir o Mestre calculando o custo, para esquecê-lo em seguida.

Afinal, caminhar com ele é a cume da bênção.

Difícil encontrar um para carregar a cruz

Possível achar um sequer?

Durante seu ministério, Jesus encontrava homens para chamá-los como discípulos. Na parábola do banquete, os servos foram enviados para sairem nas ruas e convidarem “para a festa todas as pessoas que encontrarem” (Mateus 22.9, 10 VFL).

Jesus também, logo antes da sua morte, contou a parábola do servo bom e do servo mal, pronunciando uma bênção: “Feliz o servo a quem seu senhor encontrar fazendo assim quando voltar” (Mateus 24.46  NVI).

Mas quando veio a hora de carregar a cruz de Jesus, ninguém entre seus seguidores é encontrado.

Quando estavam saindo, os soldados encontraram um homem chamado Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus.
Mateus 27:32 NTLH

Onde estavam Pedro, João, Tiago e os outros? Tinham fugido, abandonaram seu Senhor, e os soldados têm de encontrar e obrigar um estranho para carregá-la.

Onde estão hoje os discípulos para carregar a cruz de Jesus? Não um pedaço de pau ao longo da estrada, mas os sofrimentos do serviço, os rigores da obra, os temores pelas igrejas, as perseguições pelo evangelho. Quem carregará estes?

Será que ele encontra um? Ele poderá encontrar você?

Eu te seguirei

Falar é fácil, seguir exige compromisso.

DiscipuladoO Acampamento Monte das Oliveiras, como muitos acampamentos cristãos para jovens, prima no ensino do evangelho às crianças e adolescentes. Mas precisa haver cuidado: às vezes um jovem se entusiasma com o ambiente e quer se batizar, sem considerar o custo de seguir Jesus depois de chegar em casa.

Então, um mestre da lei aproximou-se e disse: “Mestre, eu te seguirei por onde quer que fores”.
Mateus 8.19 NVI

Deve ser proposital que, antes e depois desta narrativa do mestre da lei, Mateus registra três momentos das curas de Jesus. Parece que o mestre da lei se entusiasma com o poder de Jesus para trazer mudanças efetivas na vida das pessoas.

Talvez Mateus quer dizer que uma coisa é receber de Cristo uma cura, outra é entregar-lhe a vida.

Poderia tomar a resposta do Senhor ao homem como balde de água fria. Ele não o recebe de braços abertos.

Tome Pedro como exemplo. Tudo bem, Jesus vem morar na casa de Pedro e cura a sua sogra, mas sua casa fica cercada por multidões procurando curas (versos 14-16).

Ser seguidor significa colocar-se à disposição do Senhor, ser servo como Cristo serviu. É mais do que apenas clicar “Curtir”.

Já considerou o custo, agora que quer segui-lo, depois de resolver se batizar?

O jeitinho brasileiro

Está com pressa? Não corra!

DisciplinaMesmo quem critica o jeitinho brasileiro deixa escapar muitas vezes um certo orgulho. Afinal, o jeitinho é brasileiro. E o brasileiro não é nada senão criativo. Verdade, mas outros também têm sua criatividade, a qual nem sempre é usada com bons resultados.

Como o esportista que usa produtos proibidos para ter notas ou desempenho melhor na prova, e acaba perdendo seu troféu ou prêmio após exames médicos.

Os projetos do trabalhador trazem lucro, os planos do apressado trazem miséria.
Provérbios 21.5 EP

A pressa leva ao atalho e o atalho aparece pelo desejo de chegar mais rápido. Só que o cortar caminho acaba destruindo o processo normal e traz consequências prejudiciais.

O sucesso exige a aplicação persistente dos talentos, a disciplina consistente que vira hábito e o compromisso de aprender e aperfeiçoar os princípios fundamentais.

E isso é verdade, acima de tudo, na âmbito espiritual.

Seguiu, morreu

Como os dois criminosos caminharam e morreram com Jesus, quem o segue também morre com ele. Lc 23.32

E levavam também com ele dois criminosos, para serem mortos.
Lucas 23.32, A21

seguir Jesus significa morrer com eleQuem caminha com Jesus morre com ele. Foi o que aconteceu com os dois criminosos. Caminharam com ele até a Caveira e lá morreram com ele.

Este é o fato básico do discipulado, do seguimento de Jesus. Quando Jesus chama as pessoas para o seguirem, para carregarem a cruz, significa a morte.

A morte para si mesmo. A morte para o mundo. A morte para o pecado.

E significa a ressurreição para a vida, para viver para Deus, para servir os interesses do seu reino.

Você está disposto para tanto? Sigamo-no!

 

Siga-me (Mateus 9.9)

Texto: Mateus 9.9-13

Memorize: “Saindo, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria, e disse-lhe: ‘Siga-me’. Mateus levantou-se e o seguiu”. Mateus 9.9

Jesus fez discípulos olhando as pessoas nos olhos e chamando-as a um relacionamento radical, o qual significava abnegação e abandono, a fim de segui-lo. Na estrada e na casa, Jesus buscou as pessoas que sentiam necessidade, e lhes mostrou a cura para sua doença verdadeira. Continue lendo “Siga-me (Mateus 9.9)”