Sem discutir diferenças de opinião

Questão de opinião? Deixe quieto!

Fraco na féTenho amigos cristãos que creem ser errado celebrar o Natal. Nenhuma árvore, nenhum presente, nenhum Papai Noel, nada. Nem mesmo um cartão.

Creio que sejam errados eles. Temos uma árvore, trocamos presentes, gostamos da comida da época. Embora não consideremos o Natal como dia religioso (Cristo nunca fazia parte do Natal), gostamos do dia como tempo de família e de agradecer a Deus as suas boas dádivas.

Mas não critico meus amigos que pensam de modo diferente.

Aceitem entre vocês aquela pessoa que é fraca na fé, mas não com a intenção de discutir sobre as diferentes opiniões dela.
Romanos 14.1 VFL

Na área de opinião, não deve haver disputas. Ser fraco na fé significa que a pessoa não é capaz de distinguir entre algumas questões de fé e de opinião. Paulo aqui lida com atos que não são em si errados, mas os quais um discípulo considera como errado. Ele tem alguns itens de opinião na coluna errada, na das coisas essenciais.

Se alguém mudar as coisas essenciais para a coluna das opiniões, tem de haver uma separação desta pessoa. Mas quando alguém ainda não entendeu que uma questão de opinião não seja essencial, deve haver paciência e tolerância.

Senhor, quando um irmão fiel tem alguma ideia estranha que não compromete a verdade, que eu morda a língua.

Segure esta ideia:
   O fraco na fé não é um estranho,
   Em Cristo somos um só rebanho.

A palavra está perto de você

Não proximidade física, mas espiritual.

Evangelho viávelQuando o homem pensa que ele mesmo tem de garantir sua própria salvação, o alvo é distante e difícil. Muitos desistem pela frustração do impossível e outros vivem uma religiosidade falsa que proclama a capacidade humana de chegar até Deus.

Em contraste com isso, a mensagem do evangelho, que consiste na salvação pela graça de Deus, está próxima e facilmente abraçada.

Mas o que ela diz? “A palavra está perto de você; está em sua boca e em seu coração”, isto é, a palavra da fé que estamos proclamando:
Romanos 10.8 NVI

A essência do evangelho é a transformação que Deus efetua por meio da morte e ressurreição de Cristo. O evangelho é o poder de Deus para salvar a todos (Romanos 1.16-17). Deus é quem faz a obra de salvar, hoje e eternamente. Sim, temos de ter fé (que inclui fidelidade), mas isto se equivale a permitir que opere em nós o poder divino para nos transformar, manter-nos firmes e fazer-nos capazes para servir ao Senhor.

O tema de Romanos é que “Deus é poderoso” (Romanos 11.23). E o poderoso Deus coloca sua palavra, sua salvação, bem perto, dentro do nosso alcance, disponível para nossa aceitação, fácil para a nossa apropriação. A fé é viável. O caminho de Cristo é transitável.

Seja louvado o Senhor nas alturas pelo seu poder que colocou o evangelho dentro do nosso alcance.

Segure este pensamento: Difícil é a fidelidade quando se olha apenas para as próprias forças.

A primeira vantagem

A maior vantagem de judeu e cristão.

BíbliaQuando você conta suas bênçãos, por onde começa? Ao considerar suas vantagens, qual destas se destaca na sua mente? Paulo não se hesitou ao descrever a primeira vantagem dos judeus.

Que vantagem há então em ser judeu, ou que utilidade há na circuncisão? Muita, em todos os sentidos! Principalmente porque aos judeus foram confiadas as palavras de Deus.
Romanos 3.1-2 NVI

Quando Paulo fala nas “palavras de Deus” (literalmente, “oráculos”) ele se refere às revelações de Deus, o que ele tinha dito, sejam mandmentos, profecias ou promessas./1

A palavra de Deus como a primeira vantagem dos judeus soa uma trombeta que exalta a revelação divina como a maior oportunidade humana para conhecer ao Senhor. Sem a palavra de Deus, o homem está perdido no espaço, deixado a especular sobre os porquês da sua existência, condenado aos seus próprios esforços.

Aos judeus foram “confiadas” as palavras de Deus. Isso sugere um dever de crer e obedecer. Com privilégios e vantagens vêm responsabilidades.

A primeira vantagem do cristão também é a palavra de Deus, as Escrituras sagradas, que lhe abrem as riquezas da presença de Deus e o plano eterno da sua mente e coração.

Quão preciosa para mim é a sua palavra, Ó Deus! Amo os seus estatutos, desejo ouvir suas promessas, descobrir nos mandamentos a sua santidade, encontrar a salvação no Messias revelado.

Segue este pensamento: A palavra de Deus é a primeira dádiva, o ponto de partida, a conexão com Cristo.

1/ Tradução ecumênica da Bíblia (São Paulo, Loyola, 1994): 2175.

O evangelho de Romanos

Como é o livro de Romanos?

EvangelhoMuitos livros bíblicos têm um ou mais versículos que expressam muito bem o seu tema. Romans também tem:

Pois eu não tenho vergonha das Boas Novas, porque elas são o poder de Deus para salvar todo aquele que crê: primeiro os que são judeus e depois os que não são judeus. As Boas Novas mostram a maneira pela qual Deus nos declara justos, e ela está baseada inteiramente na fé, como está escrito: “Aquele, que pela fé é declarado justo, viverá”.
Romans 1.16.17 VFL

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO LIVRO

  1. Por ser uma das mais compridas, Romanos aparece no Novo Testamento primeiro na coleção de cartas. Talvez o tema da carta, sobre a obra de Deus para salvar o ser humano, ajudasse na hora de organizar o cânon.
  2. A obra de Deus é ênfase na carta. A palavra “Deus” é usada 153 vezes, muito mais do que em qualquer carta de Paulo.
  3. Paulo nunca esteve, a essa altura, em Roma. Espera visitar os cristãos lá. Quer que eles o ajudem na sua viagem missionária para Espanha. Pela carta, quer ter certeza de que todos estejam na mesma página quanto ao conteúdo do evangelho.
  4. A carta começa e termina com a mesma frase: “a obediência da fé” (1.5 e 16.26). Por esta inclusão, Paulo quer também ressaltar a importância da resposta humana ao evangelho. (A NVI traduz “obras” [de mérito] por “obediência” no capítulo 3, fazendo com que Paulo se contradiz. Há uma grande diferença entre os dois!)

Deus Pai, que possamos ler os documentos do Novo Testamento com uma apreciação espiritual e missionária.

Segure este pensamento: Nada vale a obra de Deus para o homem que nada faz para aceitá-la.

 

Caricatura ou imagem de Cristo?

Seja bom artista para desenhar a Cristo.

caricatura ou imagem de CristoNa mesa da sala da minha casa tenho um retrato do meu rosto (veja imagem ao lado) desenhado por um aluno, e feito—tinha que ser, não é?—na sala de aula. Gostei tanto do retrato que a classe o colocou numa moldura e me deu como presente. O retrato é uma caricatura.

A caricatura é um representação de uma pessoa cujas feições ou características são exageradas ou distorcidas para produzir um efeito cômico ou grotesco.

O aluno me desenhou em boa fé e recebi o retrato como elogio.

Em termos espirituais, porém, queremos ser a imagem de Cristo e não a sua caricatura.

Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Romanos 8.29 NVI

Formar em nós uma caricatura de Cristo significa termos algumas das suas feições, alguns traços dele, mas em pontos exagerados, com efeito grotesco. Desta forma, carregamos uma imagem distorcida e não o que realmente representa a pessoa perfeita dele.

Esforçamo-nos a ser aquilo que de fato seremos quando ele se manifestar, “como ele realmente é” (1 João 3.2 NTLH).

Pai, eu não tenho condições de artista, para desenhar na minha alma um retrato perfeito de nosso Senhor Jesus. Mas quero cooperar com seu Espírito que produzirá em mim a sua imagem perfeita, para glória de Deus. Amém.

Segure este pensamento: Cada dia quero parecer mais como Cristo.

Obediência da fé

A carta termina como começou, falando desse conceito.

ObediênciaNada mais apropriado numa carta que trata da essência da fé do que terminar com uma doxologia, uma exclamação de louvor, a qual é densa de conteúdo ainda e repleta de termos e frases chaves tratadas ao longo da obra:

Agora ao que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu Evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio durante os tempos eternos, mas manifestado agora e, por meio das Escrituras proféticas segundo o mandamento do Deus eterno, dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé; ao Deus que só é sábio seja dada glória por Jesus Cristo pelos séculos dos séculos. Amém.
Romanos 16.25-27 TB

Paulo termina com uma frase que escreveu no início da carta, dando-nos uma noção do seu conteúdo: “a obediência da fé”.

No capítulo 3 a NVI traduz o termo grego por “obras” como “obediência” e assim confunde a mensagem da carta. Numa versão bíblica de outro modo confiável e recomendável, a NVI mostra o ponto cego dos evangélicos, que faz com que percam a natureza da resposta correta à mensagem, isto é, a obediência. Desde Martinho Lutero, agarram-se à doutrina da “fé somente”, afirmando que não se pode fazer nada para a salvação.

Na sua carta, Paulo insiste na necessidade da obediência para a salvação. Leia, por exemplo, 6.17-18. E nessa menção dupla da “obediência da fé”, ele declara o que espera provocar nos ouvintes quando prega o evangelho.

Esta também é a nossa mensagem.

Pensem além de Roma

Todos os caminhos saem de Roma.

EvangelhoSe todos os caminhos levam a Roma, todos os caminhos saem de Roma para o mundo. Se a capital do império romano era o centro de tudo, ela devia ser também centro de propagação do evangelho.

A respeito de alguns assuntos, eu lhes escrevi com toda a franqueza, como para fazê-los lembrar-se novamente deles, por causa da graça que Deus me deu, de ser um ministro de Cristo Jesus para os gentios, com o dever sacerdotal de proclamar o evangelho de Deus, para que os gentios se tornem uma oferta aceitável a Deus, santificados pelo Espírito Santo.
Romanos 15.15-16 NVI

Pensar além de Roma. É isso que Paulo quer que os discípulos romanos façam, reconhecendo que o evangelho é para todos e que ele foi enviado aos gentios para pregar-lhes a Boa Nova de Cristo. Seu plano de ir a Espanha serve de oportunidade para eles.

Pensar além de nossa congregação, de nosso bairro, de nossa cidade. A carta aos Romanos deve servir o mesmo propósito para nós.

Liberdade que condena

Insistir quando não deve, prejudica a todos.

EdificaçãoUma frase comum que tem sido usada entre os irmãos é: “Em questões da fé, unidade; em questões de opinião, liberdade; em todas as coisa, caridade (amor)”. A frase é boa, pois uma prática básica entre os cristãos é a de não insistir em questões que não prejudicam a salvação.

Assim, seja qual for o seu modo de crer a respeito destas coisas, que isso permaneça entre você e Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova.
Romanos 14.22 NVI

É possível destruir o irmão, pela falta de fé da parte dele numa questão de opinião, ao aprovar e insistir numa prática. Quem assim faz traz para si a condenação de Deus.

Em questões secundárias, a salvação não será afetada. No contexto, Paulo fala do tipo de comida que se come em casa ou a observação individual de dias especiais. Entre nós hoje, há irmãos cujas famílias que não observam feriados como o Natal. Estas coisas devem permanecer entre a pessoa e Deus. Quer dizer, não devem ser assunto para dividir a igreja ou questão de fé entre irmãos, pois tais opiniões não mudam o destino eterno de ninguém.

A fé que traz a salvação, porém, deve ser sempre algo que não permaneça entre o cristão e seu Deus, mas assunto para ser levantado com todos a todo momento.