Alguns, senão muitos, entendem esta passagem dessa forma: “Deus não levou em conta o que eu fiz antes de conhecer a Cristo, seja o que for, pois quando me entreguei a ele, tudo deixou de existir e agora tudo se fez novo”; ou seja, a sua vida passou a ser contada a partir de seu batismo em Cristo. Mas como foi mencionado, não é isso que o texto está dizendo. A interpretação correta é: não importa o que eu fiz (na ignorância), agora que sou cristão (tenho o pleno conhecimento) preciso viver de acordo com a vontade de Deus, pois do contrário perderei a minha salvação. Também já vi irmãos justificarem o segundo casamento usando passagens como esta, mas eles esquecem que a “lei” do matrimônio foi dada a todos os seres humanos no início da humanidade (ela é universal), ou seja, na criação (Gn 2:24). Ela é antes da Lei de Moisés, e consequentemente, antes da doutrina cristã no Novo Testamento, e continua valendo (Mc 10:9; Rm 7:2,3; 1 Co 7:10,11,39). Se conhecendo ou não a Cristo permanecermos no pecado, pereceremos, pois o “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6:23). Todos os seres humanos tem uma moral, uma consciência do certo e do errado, e isso independe de ser cristão. Um ateu, por exemplo, sabe muito bem que adulterar é errado, pois do contrário este ato nunca seria realizado as escondidas do cônjuge. Todos sabem que mentir é errado, mas muitos continuam a mentir e a viver da mentira. Deus, porém, nos chama ao arrependimento e em consequência a mudança total de vida e de pensamento; uma nova consciência – “o batismo, agora também vos salva, não sendo a remoção da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus Cristo” (1 Pe 3:21).