A pausa que muda a vida

João 4.19: Quanto tempo esperou a mulher antes de falar essas palavras?

Lemos o texto bíblico direto, sem pausa, o diálogo como se tivesse um ritmo acelerado, sem sentir a dinâmica entre dois estranhos, um homem e uma mulher, um judeu e uma samaritana, ele em viagem e ela cumprindo os deveres da casa.

Se a palavra hebraica “Selá” significa “pausa” e se João tivesse costume de inserir este termo da poesia dos judeus em texto de prosa, imagino que ele a teria usado nessa narrativa sobre Jesus e a mulher samaritana. Especialmente, antes dessa frase dela.

Disse a mulher: “Senhor, vejo que é profeta.
João 4.19

O Senhor tinha acabado de descrever a vida dissoluta da mulher, com cinco maridos e, naquele momento, ela estava vivendo com um homem sem estar casada. Jesus e a mulher nunca tinham conhecido um ao outro antes. E logo uma pessoa estranha está revelando toda a sua vida.

Se ela não parou qualquer movimento, se ela não deixou cair o seu cântaro, se ela não demorou um longo minuto antes de responder, …

Nesse momento a água do poço deixou de ter importância.

Quando os discípulos chegam e a conversa é interrompida, ela deixa o cântaro no poço para falar com os habitantes da cidade.

A revelação de Jesus faz o mundo dela parar de vez.

Sem dúvida, ela demora para encontrar a sua voz, e muda-se o seu tom da voz.

“Senhor, vejo que é profeta”.

Se antes ela falava em tom de brincadeira, em tom de leveza, em tom até de espanto com a iniciativa desse judeu falar com ela, agora já não fala mais assim.

Agora, ela sabe que está diante de um homem de Deus, um homem que sabe, um homem que revela a mente e a redenção dos céus.

A conversa toda muda. E a partir desse momento, a vida dela também.

Ela olha para ele de forma diferente.

Quando Jesus fala toda a nossa vida e nos revela quem somos, vem a pausa. A nossa decisão de como receber sua revelação determina a direção da conversa com Jesus daqui para a frente.

A mulher samaritana sabia, no fundo, qual era sua situação. E a encarou.

Satanás não quer que façamos essa pausa, deixando que a verdade nos alfinete no íntimo, desejando que a vida fosse diferente, ousando que uma chispa da esperança se torne a chama do arrependimento. O diabo quer nos manter na correria do cântaro, no suor do meio-dia, na lista de tarefas intermináveis, para não pensarmos muito sobre o pronunciamento de Jesus.

Jesus me conhece. Ele me descreve nas minhas desgraças. E ele espera a minha pausa, o meu reconhecimento da sua pessoa, a minha confissão da bagunça da minha vida, para logo em seguida revelar-se como o Messias que me restaura a vida e, para mim e muitos outros como eu, torna-se o Salvador do mundo.

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