A primeira vantagem

A maior vantagem de judeu e cristão.

BíbliaQuando você conta suas bênçãos, por onde começa? Ao considerar suas vantagens, qual destas se destaca na sua mente? Paulo não se hesitou ao descrever a primeira vantagem dos judeus.

Que vantagem há então em ser judeu, ou que utilidade há na circuncisão? Muita, em todos os sentidos! Principalmente porque aos judeus foram confiadas as palavras de Deus.
Romanos 3.1-2 NVI

Quando Paulo fala nas “palavras de Deus” (literalmente, “oráculos”) ele se refere às revelações de Deus, o que ele tinha dito, sejam mandmentos, profecias ou promessas./1

A palavra de Deus como a primeira vantagem dos judeus soa uma trombeta que exalta a revelação divina como a maior oportunidade humana para conhecer ao Senhor. Sem a palavra de Deus, o homem está perdido no espaço, deixado a especular sobre os porquês da sua existência, condenado aos seus próprios esforços.

Aos judeus foram “confiadas” as palavras de Deus. Isso sugere um dever de crer e obedecer. Com privilégios e vantagens vêm responsabilidades.

A primeira vantagem do cristão também é a palavra de Deus, as Escrituras sagradas, que lhe abrem as riquezas da presença de Deus e o plano eterno da sua mente e coração.

Quão preciosa para mim é a sua palavra, Ó Deus! Amo os seus estatutos, desejo ouvir suas promessas, descobrir nos mandamentos a sua santidade, encontrar a salvação no Messias revelado.

Segue este pensamento: A palavra de Deus é a primeira dádiva, o ponto de partida, a conexão com Cristo.

1/ Tradução ecumênica da Bíblia (São Paulo, Loyola, 1994): 2175.

O evangelho de Romanos

Como é o livro de Romanos?

EvangelhoMuitos livros bíblicos têm um ou mais versículos que expressam muito bem o seu tema. Romans também tem:

Pois eu não tenho vergonha das Boas Novas, porque elas são o poder de Deus para salvar todo aquele que crê: primeiro os que são judeus e depois os que não são judeus. As Boas Novas mostram a maneira pela qual Deus nos declara justos, e ela está baseada inteiramente na fé, como está escrito: “Aquele, que pela fé é declarado justo, viverá”.
Romans 1.16.17 VFL

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO LIVRO

  1. Por ser uma das mais compridas, Romanos aparece no Novo Testamento primeiro na coleção de cartas. Talvez o tema da carta, sobre a obra de Deus para salvar o ser humano, ajudasse na hora de organizar o cânon.
  2. A obra de Deus é ênfase na carta. A palavra “Deus” é usada 153 vezes, muito mais do que em qualquer carta de Paulo.
  3. Paulo nunca esteve, a essa altura, em Roma. Espera visitar os cristãos lá. Quer que eles o ajudem na sua viagem missionária para Espanha. Pela carta, quer ter certeza de que todos estejam na mesma página quanto ao conteúdo do evangelho.
  4. A carta começa e termina com a mesma frase: “a obediência da fé” (1.5 e 16.26). Por esta inclusão, Paulo quer também ressaltar a importância da resposta humana ao evangelho. (A NVI traduz “obras” [de mérito] por “obediência” no capítulo 3, fazendo com que Paulo se contradiz. Há uma grande diferença entre os dois!)

Deus Pai, que possamos ler os documentos do Novo Testamento com uma apreciação espiritual e missionária.

Segure este pensamento: Nada vale a obra de Deus para o homem que nada faz para aceitá-la.

 

Obediência da fé

A carta termina como começou, falando desse conceito.

ObediênciaNada mais apropriado numa carta que trata da essência da fé do que terminar com uma doxologia, uma exclamação de louvor, a qual é densa de conteúdo ainda e repleta de termos e frases chaves tratadas ao longo da obra:

Agora ao que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu Evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio durante os tempos eternos, mas manifestado agora e, por meio das Escrituras proféticas segundo o mandamento do Deus eterno, dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé; ao Deus que só é sábio seja dada glória por Jesus Cristo pelos séculos dos séculos. Amém.
Romanos 16.25-27 TB

Paulo termina com uma frase que escreveu no início da carta, dando-nos uma noção do seu conteúdo: “a obediência da fé”.

No capítulo 3 a NVI traduz o termo grego por “obras” como “obediência” e assim confunde a mensagem da carta. Numa versão bíblica de outro modo confiável e recomendável, a NVI mostra o ponto cego dos evangélicos, que faz com que percam a natureza da resposta correta à mensagem, isto é, a obediência. Desde Martinho Lutero, agarram-se à doutrina da “fé somente”, afirmando que não se pode fazer nada para a salvação.

Na sua carta, Paulo insiste na necessidade da obediência para a salvação. Leia, por exemplo, 6.17-18. E nessa menção dupla da “obediência da fé”, ele declara o que espera provocar nos ouvintes quando prega o evangelho.

Esta também é a nossa mensagem.

Pensem além de Roma

Todos os caminhos saem de Roma.

EvangelhoSe todos os caminhos levam a Roma, todos os caminhos saem de Roma para o mundo. Se a capital do império romano era o centro de tudo, ela devia ser também centro de propagação do evangelho.

A respeito de alguns assuntos, eu lhes escrevi com toda a franqueza, como para fazê-los lembrar-se novamente deles, por causa da graça que Deus me deu, de ser um ministro de Cristo Jesus para os gentios, com o dever sacerdotal de proclamar o evangelho de Deus, para que os gentios se tornem uma oferta aceitável a Deus, santificados pelo Espírito Santo.
Romanos 15.15-16 NVI

Pensar além de Roma. É isso que Paulo quer que os discípulos romanos façam, reconhecendo que o evangelho é para todos e que ele foi enviado aos gentios para pregar-lhes a Boa Nova de Cristo. Seu plano de ir a Espanha serve de oportunidade para eles.

Pensar além de nossa congregação, de nosso bairro, de nossa cidade. A carta aos Romanos deve servir o mesmo propósito para nós.

Liberdade que condena

Insistir quando não deve, prejudica a todos.

EdificaçãoUma frase comum que tem sido usada entre os irmãos é: “Em questões da fé, unidade; em questões de opinião, liberdade; em todas as coisa, caridade (amor)”. A frase é boa, pois uma prática básica entre os cristãos é a de não insistir em questões que não prejudicam a salvação.

Assim, seja qual for o seu modo de crer a respeito destas coisas, que isso permaneça entre você e Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova.
Romanos 14.22 NVI

É possível destruir o irmão, pela falta de fé da parte dele numa questão de opinião, ao aprovar e insistir numa prática. Quem assim faz traz para si a condenação de Deus.

Em questões secundárias, a salvação não será afetada. No contexto, Paulo fala do tipo de comida que se come em casa ou a observação individual de dias especiais. Entre nós hoje, há irmãos cujas famílias que não observam feriados como o Natal. Estas coisas devem permanecer entre a pessoa e Deus. Quer dizer, não devem ser assunto para dividir a igreja ou questão de fé entre irmãos, pois tais opiniões não mudam o destino eterno de ninguém.

A fé que traz a salvação, porém, deve ser sempre algo que não permaneça entre o cristão e seu Deus, mas assunto para ser levantado com todos a todo momento.

Revistamo-nos das armas da luz

Estamos mais próximos ainda do fim.

RomanosSe Cristo não veio ainda, depois de dois mil anos, será que o fim chegará, afinal? Se já naquela época do primeiro século os seguidores de Cristo pensavam que o fim estava próximo, podiam ser enganados? De que maneira podia estar próximo se ele ainda não se manifestou?

A noite adiantou-se e o dia está próximo. Despojemo-nos, por isso, das obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.
Romanos 13.12 BSC

Desde o primeiro século, não há mais nada que impede a vinda de Cristo. Estamos margeando o dia, como uma caravana que chega de longe a um rio e agora viaja paralelamente beirando o curso das águas.

Se dois mil anos já se passaram, significa que estamos mais próximos ainda, embora para Deus mil anos é como um dia (ver 2 Pedro 3).

Chegaremos naquele dia apenas por meio de luta. Os obstáculos são grandes. Empecilhos se erguem a cada passo. Tentações sussurram das sombras.

Como exploradores no meio da selva, com machetes sempre na mão, abrindo um caminho a cada passo que tomam, o esforço para chegar até o dia final é grande.

 

Solidariedade em Cristo

O mundo compete; o cristão se compromete.

Amor cristãoQuando um amigo se alegra, a pessoa do mundo tem inveja do motivo da alegria. Quando há tristeza, a pessoa do mundo se afasta, pois não tem estrutura para suportar a dor. Em Cristo, porém,  há solidariedade.

Alegrem-se com os que se alegram e chorem com os que choram.
Romanos 12.15 NTLH

Para cumprir a ordem acima, é necessário entrar na experiência do outro, escutar sem oferecer comentário ou conselho, aceitar a pessoa na sua condição. Significa participar da sua vida, ao invés de competir ou distanciar-se. É estar presente, ser amigo ao invés de ser crítico.

Com outro irmão em Cristo, é possível tal intimidade, mas não com os de fora. Pode haver uma aproximação com estes, mas os alvos conflitantes impossibilitam a comunhão que a fé proporciona. O mundo tenta imitar, sem sucesso, o amor cristão, mas somente em Cristo, Deus que se tornou homem, é real esta solidariedade.

 

A árvore na floresta

Deus quer que todos sejam salvos.

EvangelhoA frase tem várias formas, mas a ideia é de não conseguir ver o bosque por causa da árvores. Em termos do grande e abrangente plano de Deus, para Paulo, vendo uma árvore, vê-se a floresta.

Pergunto então: terá Deus rejeitado o seu povo? De maneira nenhuma! Pois também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim.
Romanos 8.1 BSC

A carta aos Romanos não é nada senão uma grande declaração missionária, da mão de um enviado cuja visão inclui o mundo inteiro, vendo sempre o próximo campo a ser trabalhado.

Dentro dessa visão, o povo de Israel tem de ser considerado. A igreja se torna cada vez mais populada pelos gentios. Isso seria sinal da rejeição do povo de Israel? De forma alguma! O próprio Paulo é evidência disso. Nesse caso, uma árvore sinaliza a existência do bosque.

Nem todo Israel segundo a carne será salvo. Mas todo Israel segundo a fé será salvo. Assim, a igreja constitui o “Israel de Deus” (Gálatas 6.16), o novo povo de Deus, como traduz a New Living Translation.

Por isso, o evangelho deve ser pregado a todos. Devemos orar pela conversão de todos. Devemos abrir novos campos de pregação. Devemos proclamar Cristo incansavelmente.

Muitos rejeitarão a mensagem. Mas na próxima esquina, quem sabe se veremos uma única árvore.

Desejo e oração

Quando o desejo de Deus é nosso, isso faz boa oração.

SalvaçãoQual o filho que já pediu ao pai roupa escolar ou livro para estudar? Se pedisse, o pai daria com muito prazer, pois seu desejo para o filho é que estude bastante. Jesus nos instruiu para pedirmos conforme a vontade de Deus, o que Paulo faz:

Irmãos, o desejo do meu coração, e a oração que faço a Deus por Israel, é para que eles sejam salvos.
Romanos 10.1 BLivre

Deus não dará o desejo do coração que procura gastar em seus próprios prazeres (ver Tiago 4.1ss). E culpamos Deus às vezes por não atender as nossas orações porque pensamos, carnal e loucamente, que nossas prazeres sejam a vontade de Deus.

Nada, porém, mais perto do coração de Deus, do que a salvação de todas as pessoas.

Você já deu uma olhada recentemente na sua lista de pedidos?

 

O favorito não ganhou

Se Israel era povo de Deus, porque rejeitou o evangelho?

IsraelNão é incomum em algum esporte ou corrida o favorecido perder a competição. Aquele que todos pensavam que chegaria primeiro, por algum motivo deixa de cumprir as expectativas. Foi assim também com Israel. O povo tinha tanta vantagem, mas no final acabou fora do reino de Deus.

Deles [dos judeus] são os patriarcas, e a partir deles se traça a linhagem humana de Cristo, que é Deus acima de tudo, bendito para sempre! Amém.
Romans 9.5 NVI

A rejeição de Israel é mais lastimável ainda porque o povo estava rejeitando o próprio Deus na pessoa de Cristo. Ele surgiu no meio de povo, conforme o plano de Deus, para a redenção do mundo, “mas os seus não o receberam” (João 1.11). O povo do Senhor vira as costas para Deus-conosco!

Nos capítulos 9-11 de Romanos, Paulo mostra que a palavra de Deus ainda se cumpriu, mesmo com a rejeição de Israel. Para demonstrar isso, cita as Escrituras copiosamente, de modo que 40% dos 90 versos são citações. Uma palavra chave é “remanescente” (verso 27). Faz questão de mostrar que a seleção do povo nunca foi em base puramente física. A promessa divina não falhou. Pelo contrário, cumpriu-se conforme o plano de Deus.

Israel tinha tanta vantagem, a qual a maioria jogou fora porque preferiu seguir as próprias ideias.

Na igreja será diferente hoje?