O favorito não ganhou

Se Israel era povo de Deus, porque rejeitou o evangelho?

IsraelNão é incomum em algum esporte ou corrida o favorecido perder a competição. Aquele que todos pensavam que chegaria primeiro, por algum motivo deixa de cumprir as expectativas. Foi assim também com Israel. O povo tinha tanta vantagem, mas no final acabou fora do reino de Deus.

Deles [dos judeus] são os patriarcas, e a partir deles se traça a linhagem humana de Cristo, que é Deus acima de tudo, bendito para sempre! Amém.
Romans 9.5 NVI

A rejeição de Israel é mais lastimável ainda porque o povo estava rejeitando o próprio Deus na pessoa de Cristo. Ele surgiu no meio de povo, conforme o plano de Deus, para a redenção do mundo, “mas os seus não o receberam” (João 1.11). O povo do Senhor vira as costas para Deus-conosco!

Nos capítulos 9-11 de Romanos, Paulo mostra que a palavra de Deus ainda se cumpriu, mesmo com a rejeição de Israel. Para demonstrar isso, cita as Escrituras copiosamente, de modo que 40% dos 90 versos são citações. Uma palavra chave é “remanescente” (verso 27). Faz questão de mostrar que a seleção do povo nunca foi em base puramente física. A promessa divina não falhou. Pelo contrário, cumpriu-se conforme o plano de Deus.

Israel tinha tanta vantagem, a qual a maioria jogou fora porque preferiu seguir as próprias ideias.

Na igreja será diferente hoje?

 

As pedras da Serra da Mantiqueira

Quando Deus justifica, ninguém muda seu parecer.

justificationSe eu fosse me jogar da Pedra da Macela, a 1.840 m de altitude na Serra da Mantiqueira (o que não vou fazer nunca, pois tenho medo das alturas), quem ia levar a pior, eu ou as pedras? As pedras não iriam se machucar. Elas não iriam nem mexer nem sentir nada. Eu é que ficaria quebrado!

E quando Deus justifica e um homem acusa?

Quem irá acusar os eleitos de Deus? Deus é quem nos justifica!
Romanos 8.33 BSC

A pergunta é retórica. Nem precisa suprir a resposta, pois todos já a sabemos.

Alguém poderá falar mal a nosso respeito, e falará mesmo. O cristão ouvirá todo tipo de mentira e falsidade a seu respeito pelos que querem derrubar a verdade. Tais palavras, porém, não terão como afetar seu relacionamento com Deus, nem o seu destino eterno. Serão apenas palavras falsas e vazias de poder.

Se é Deus quem nos julga, o juízo do homem, e de nós mesmos, fica sem efeito. Devemos fazer o máximo de esforço para termos a aprovação dele, mas uma vez tendo-a (e há como ter certeza dela), podemos ficar sossegados na justificação por meio de Cristo.

Da mesma forma que as pedras da montanha não se preocupem comigo.

Que delícia essa morte!

Uma morte que significa liberdade!

Morte de CristoO assassino sabia que só podia casar-se novamente no caso da morte da esposa. Então, resolveu matá-la, para ter a liberdade de segundo casamento. Sua teologia estava correta, mas sua conclusão faltava muito. Paulo tem tanto a teologia certa como a conclusão correta.

Assim, meus irmãos, vocês também morreram para a lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerem a outro, àquele que ressuscitou dos mortos, a fim de que venhamos a dar fruto para Deus.
Romanos 7.4 NVI

Viver para a lei significa provar a própria bondade pela observação perfeita da lei. Impossível isso. O resultado disso é que a lei somente tem o poder de acusar e condenar.

Quando morremos para a lei, ficamos livres desse projeto impossível. Paulo usa a figura do casamento, no qual a morte separa os cônjuges. Pela nossa morte para a lei, ficamos livres e chegamos a pertencer a Cristo, que traz o perdão e a santidade necessária para a presença de Deus. E produz fruto para Deus, nossa santificação.

Esta liberdade da lei e o pertencer a “outro”, Jesus Cristo, por meio do seu corpo (crucificado e ressurreto) faz com que essa morte seja uma delícia, pois ela nos traz até a presença de Deus.

Conclusões absurdas entre nós

Pecar mais quer dizer mais perdão? Nem de longe!

Graça de DeusDizem que o amor é cego. Talvez melhor dizer que o amor ignora os desafios e dificuldades de um relacionamento com o sexo oposto. Uma linha de pensamento que ignora evidências chegará a conclusões erradas que conduzirão a grandes decepções.

Alguns pensam na graça de Deus como outros consideram o amor, o resolve-tudo:

Que havemos de concluir? Que vamos permanecer no pecado, para que aumente a graça? De maneira nenhuma! Como iríamos nós, que morremos para o pecado, viver ainda nele?
Romans 6.1-2 BSC

Paulo quer evitar que alguém pense que pecar mais signifique mais graça. Vamos transgredir a lei de Deus para que ele tenha oportunidade de exercer mais perdão? Essa lógica não procede, especialmente à luz de nosso batismo, no qual morremos para o pecado. (Leia os versos em seguida.)

Morrer para o pecado significa ficar separado dele e não ter mais relação com ele. Desta forma, viver pecando não faz sentido.

O ensino do evangelho e a experiência do cristão (neste caso, a imersão) sempre confirmam a verdade e expõe a falsa doutrina que abre a porta para o pecado.

Mas é necessário pensar um pouco, ao invés de proclamar a graça, como fazem hoje os assim chamados progressistas, como a cobertura para a libertinagem e capa para a imoralidade. Pois este é o argumento deles, o qual o apóstolo provou ser falso há muito tempo.

Aproveitando de tudo

Deus usa o sofrimento para o nosso bem.

SofrimentoNo movimento popular de preservar a assim chamada natureza e não desperdiçar os recursos naturais, algumas pessoas procuram aproveitar de tudo, reciclando materiais usados e, à guisa do exemplo, utilizando aquelas partes dos legumes e frutas que antes eram jogadas fora. É bom procurar aproveitar de tudo, porque é isso que Deus faz:

E também nos alegramos nos sofrimentos, pois sabemos que os sofrimentos produzem a paciência, …
Romanos 5.3 NTLH

Nós preferiríamos descartar o sofrimento, mas na economia divina ele tem sua utilidade também. Cada experiência nossa, cada evento e momento Deus usa para o nosso bem.

Portanto, ao invés de tentarmos evitar o sofrimento (tentativa impossível, vale dizer), devemos procurar aprender dele e abraçá-lo como mais um instrumento do Senhor para conduzir-nos à sua presença.

Com tal compreensão do papel das provações na obra de Deus, conseguimos nos alegrar nos sofrimentos.

Sirvo em meu espírito no evangelho

Comentário sobre Romanos 1.9.

serviço espiritualMinistério virou exercício de poder. Ministro, tanto na política como na religião, tornou-se agregador de privilégios. Mas estes não podem chamar Deus como testemunha do seu serviço, como faz esse servidor:

Pois Deus, a quem sirvo em meu espírito no Evangelho de Seu Filho, …
Romanos 1.9 BLIVRE

O termo na língua original para “servir” tem um sentido amplo, e significa louvor ou labor, adoração ou trabalho. O contexto em que aparece o termo determina o tipo de serviço religioso. Em Mateus 4.10, por exemplo, é geralmente traduzido por “adorar”. Aqui, o serviço parece ser o anúncio da Boa Nova de Cristo (como em 15:16).

Isso é importante notar porque fazemos uma distinção muito severa entre nosso serviço de reunir-nos com os irmãos e o de proclamar, no dia a dia, a salvação aos de fora. Obviamente, cada momento tem suas peculiaridades, mas os dois constituem serviço, dois aspectos da mesma realidade espiritual do cristão.

Paulo declara que, embora o serviço seja empenhado no mundo, entre as pessoas, com viagens para lá e para cá, suportando rigores e temores, ele é feito “em meu espírito”, indicando a interioridade do cristianismo. A fé não é um ritual, mas cada ação e atitude parte do íntimo, fonte das motivações que agradam a Deus, da disposição mental e da consciência profunda de gratidão pela graça divina que chama e impulsiona.

De fato, a frase chama Deus como testemunha à sinceridade e ao zelo que ele tem pelos leitores e ao desejo de vê-los e deixar-lhes algum benefício espiritual. O objeto da sua fé e serviço é Deus, É ele quem Paulo quer impressionar e agradar. Ele age sempre para que Deus, e não o homem, pense bem a seu respeito.

Seja o serviço louvor ou labor, a oração sempre o acompanha, como no restante do verso citado acima.

Que todos possamos dizer com Paulo que é Deus a quem servimos em nosso espírito na proclamação da Boa Nova de seu Filho.