As duas coisas

Deus quer um tanto quanto o outro.

A religião humana cai em um de dois extremos: o do ritualismo, fazendo valer o ato à parte da compreensão e do interior, e o da sinceridade, fazendo valer apenas a intenção e ignorando os mandamentos divinos. Os fariseus eram culpados do primeiro extremo.

Então o Senhor lhe disse: “Vocês, fariseus, limpam o exterior do copo e do prato, mas interiormente estão cheios de ganância e da maldade. Insensatos! Quem fez o exterior não fez também o interior? Mas dêem o que está dentro do prato como esmola, e verão que tudo lhes ficará limpo. Ai de vocês, fariseus, porque dão a Deus o dízimo da hortelã, da arruda e de toda a sorte de hortaliças, mas desprezam a justiça e o amor de Deus! Vocês deviam praticar estas coisas, sem deixar de fazer aquelas.
Lucas 11.39-41 NVI

Como em todo o evangelho, o princípio começa a partir de Deus, que “fez o exterior” e “também o interior”. Ele olha para os dois. Ele deseja que o sirvamos com mente e mão, por dentro e por fora, na ação e no coração. Um sem o outro não satisfaz o Deus que fez os dois.

Da mesma forma que Jesus condenou os fariseus que dependiam somente do exterior, ele condena toda e qualquer esforço religioso que exalta um, o exterior ou o interior, à negligência do outro. Devemos dar o que está dentro e o que está fora. Devemos praticar tanto um como o outro.

A tendência de hoje, a da sinceridade, é o contrário dos fariseus, mas é tão perigosa e tão condenada como a tendência do ritualismo. (Ver, por exemplo, Mateus 7.21.) As Escrituras estão repletas de exemplos de pessoas sinceras mas indispostas a obedecer, isto é, a comprometer-se a viver segundo os mandamentos de Deus. Então, é necessário falar hoje para esta tendência, da mesma forma que Jesus falou aqui em Lucas 11 para a outra.

Sejamos, por isso, completos ou perfeitos na vontade de Deus, entregando a ele que fez o exterior e o interior todo o nosso ser.

Criador de corpo e espírito, de alma e carne, entrego ao Senhor a minha vontade, o meu coração, a minha mente, as minhas forças. Torne-me uma pessoa perfeita nas coisas do Senhor, completamente habilitado para sua obra. Obrigado por esta realidade em Cristo. Amém.

A verdade a serviço da maldade

Palavras verdadeiras, mas maliciosas.

MotivaçõesA verdade sem a sinceridade fica à mercê da maldade. A sinceridade sem a verdade anda à deriva, impulsionada pelos desejos pessoais do momento. No primeiro caso, tem-se exemplo triste nos fariseus, no ataque a Jesus.

Então os fariseus saíram e começaram a planejar um meio de enredá-lo em suas próprias palavras. Enviaram-lhe seus discípulos juntamente com os herodianos que lhe disseram: “Mestre, sabemos que és íntegro e que ensinas o caminho de Deus conforme a verdade. Tu não te deixas influenciar por ninguém, porque não te prendes à aparência dos homens.
Mateus 22.15-16 NVI

O que falaram era verdadeiro, mas lhes faltava sinceridade. Neste caso, a verdade tornou-se instrumento do mal. As motivações espirituais são fundamentais para a utilização correta da verdade.

Vê-se hoje o mesmo abuso da verdade, até, às vezes, entre o povo de Deus, quando alguém quer se apossar de poder e influência.

Para que a verdade seja libertadora, ferramenta espiritual no reino de Deus, temos de nos arrepender de nossas ambições e de colocar cada ato e pensamento sob o comando de nosso Senhor Jesus Cristo.

Da sinceridade e da verdade

No Caminho de Cristo é preciso a sinceridade e a verdade.

verdade no íntimo

O evangelho une perfeitamente o interior e o exterior. Ele tem uma integridade e estabelece no seguidor de Jesus uma coerência entre o coração e as mãos, entre o íntimo da pessoa e suas atitudes no mundo. Da mesma forma que Jesus falou do espírito e da verdade na adoração, Paulo também afirma esta unidade no âmbito da moralidade:

Por isso, celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da perversidade, mas com os pães sem fermento da sinceridade e da verdade.
1 Coríntios 5.8 NVI

Há quem deseja enfatizar a sinceridade ou o espírito acima da verdade e torna o evangelho em emocionalismo. E existe os que pesam tanto no quesito verdade que negligenciam a sinceridade do coração e tornam o evangelho em ritualismo ou farisaísmo.

Mas tanto um como o outro são essenciais para uma vivência em Cristo que agrada ao Pai. Não basta ser sincero apenas. Tampouco é suficiente ter a verdade nas mãos.

Não é questão de ser equilibrado, mas sim de ser completo, demonstrando ambos na piedade.

 

A multidão atropelante

Nesse meio tempo, tendo-se juntado uma multidão de milhares de pessoas, ao ponto de se atropelarem umas às outras, Jesus começou a falar primeiramente aos seus discípulos, dizendo: “Tenham cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”.
Lucas 12.1

Evito multidões, mas já fiquei no meio de um aperto de muita gente.

Como no cortejo de Tancredo Neves Belo Horizonte em 1985, quando várias pessoas morreram por causa do descontrole da multidão.

Lucas parece sugerir que o atropelamento de gente é mais do que um problema de números. Dá a impressão de certa hostilidade.

É no meio dessa pressão da multidão que Jesus alerta contra a hipocrisia.

Pois esta é o desejo de agradar à maioria, de impressionar as pessoas, de se tornar algo que não é para ganhar a aprovação da turma.

“Sejam quem são como discípulos meus”, disse o Mestre, “ao invés de seguir o modelo religioso popular dos fariseus”.

Lugar mais seguro, longe do atropelamento da multidão, está nos telhados proclamando quem somos em Jesus (v. 3).